O mar sempre fez parte da minha vida. Cresci perto da costa e, desde pequeno, habituado a passar mais tempo descalço na areia do que em qualquer outro sítio. Antes de aprender a surfar, já passava horas a observar as ondas, a tentar perceber o oceano e a imaginar como seria fazer parte daquele cenário. Quando finalmente entrei numa prancha, percebi rapidamente que não era apenas um desporto. Era uma forma diferente de viver.
O surf ensinou-me que nem tudo pode ser controlado. Aprendes a esperar, a observar, a respeitar o ritmo do mar e a aceitar que há dias em que simplesmente não acontece. Curiosamente, são esses dias que acabam por ensinar mais. Com o tempo deixei de procurar apenas as melhores ondas e comecei a valorizar tudo o que acontece à volta delas: acordar cedo, o silêncio da praia antes de toda a gente chegar, as conversas depois da sessão e a sensação de voltar para casa cansado, mas com a cabeça completamente limpa.